sábado, 15 de agosto de 2009

SOBRE O TEATRO DE ANIMAÇÃO

Entendemos o ato de “animar” como “dar vida ou aparência de vida”. De fato, a palavra anima provém do latim [‘anẹ ma] e significa ‘sopro’; ‘alento’, ‘alma’. A animação, portanto, é a arte ou a técnica de animar.
Dizemos, portanto, que o termo Teatro de Animação é a forma específica de animação realizada com fins teatrais e engloba todas as formas de representação cênica na qual a aparência de vida é dada, seja a objetos, luzes ou sombras, seja a uma parte objetivada do corpo humano ou, ainda, qualquer outra forma que simule uma vontade autônoma. As espécies conhecidas desse gênero são extremamente variadas, as mais populares sendo as seguintes: máscaras, fantasias (formas habitáveis), bonecos (luvas, varas, marionetes de fio, bonecos de mesa, bonecos gigantes), sombras, teatro de objetos e certas espécies de autômatos.
Para Ana Maria Amaral, cada espécie desse gênero possui determinadas particularidades que os agrupam segundo algumas características. Por exemplo, para a autora, a diferença entre o teatro de objetos e o de bonecos é que o primeiro não é realista, por não representar a figura humana. Segundo ela, “os objetos são importantes por seu poder de criar metáforas. Eles têm essa capacidade de apresentar situações de maneira direta, peculiar e simbólica”[1]. Amaral acredita que o Teatro de Animação seja “a arte do irreal tornado real, o invisível tornado visível”[2]. Ou seja, o corpo inanimado, manipulado pelo ator, na representação teatral, parece manifestar momentaneamente uma energia vital capaz de executar ações inteligentes por vontade própria. Sob esse ponto de vista, o “irreal”, a vida, no objeto inanimado, torna-se “realidade” aos olhos do espectador. A vida no objeto, que não podia ser vista antes da presença do manipulador, explicita-se.
Ao longo da história, muitas têm sido as concepções acerca da estrutura estética no Teatro de Animação. Cada período, cada escola e cada corrente artística têm apresentado seus conceitos mantendo uma estreita relação com o contexto social pertinente à época em vigor, suas descobertas e crenças nos variados campos do saber e suas problemáticas inerentes. No entanto, apesar de todos os registros indicarem que essa arte foi praticada desde a Antigüidade, poucos são os estudos teóricos que disseminam questões relativas às especificidades de sua linguagem. Notadamente, a Modernidade trouxe significativas idéias sobre a arte, as quais, da mesma forma, abarcaram o campo da animação e repercutiram, mais tarde, na Pós-modernidade.


[1] AMARAL, Ana Maria. O ator e seus duplos. São Paulo: EDUSP, 2002, p. 121.
[2] AMARAL, Ana Maria. Teatro de formas animadas. São Paulo: EDUSP, 1991, p. 22.


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